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O REFLEXO DO MERGULHO

Atualizado: Jul 25

O sol amanhece mais uma vez em minhas retinas

Tateio com minha lucidez

A migalha de dignidade que me sobra

Num salto cego

A realidade me acolhe

Com a força de mil amantes

Como se fosse possível guardar a vida

Nestas faíscas de memórias

Como se fosse possível guardar você

Apenas por momentos dispersos

Na água do chuveiro aberto

No som da água do café fervendo

No sabor do tinto que adoça a pele

Na fumaça que aguça o pensamento

No sorriso dos planos

Na ansiedade do futuro

No movimento de pescoço antes do beijo de despedida

Quando você afunda os olhos nos meus ombros e chora

Enquanto nossos corpos cansados se despedem no sofá

Como se fosse possível guardar a vida

Eliminar o calafrio que me percorre a espinha

Com o que já não somos mais

Me fragmento pelos cômodos

Procurando uma fresta

De um raio de sol redentor

O mesmo que toca suave as plantas do meu jardim

Mas desabo, desabo do meu próprio céu

E de tão depressa o tempo parece que não passa

Tempo esse, mal passado, e tão marcado em ausência

Onde dias fogem e apressam a gente que passa

É a gente que passa!

Em cada (in)cômodo da casa bate um relógio vazio

Será que a gente do amanhã vai se lembrar da gente partida do presente

Ou será que já teremos ido embora demais?



self portrait - 2020 (Copyright © 2020 Roberta Simão)

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