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Laos – Por trás da beleza

A vida e as condições de vida que roubam os sonhos e a inocência das crianças desse país.




O Laos, para muitas pessoas é a "Terra dos elefantes" ou "um pequeno pedaço do paraíso na terra". Os turistas que visitam esta terra, voltam com suas retinas cheias de memórias de paisagens incríveis, bucólicas plantações de arroz e templos suntuosos, pessoas amigáveis e o paladar saudoso pela ótima comida. Mas há um outro lado da vida desse belo país.


O Laos é uma das nações mais pobres e menos desenvolvidas do mundo. Um terço da população vive com menos de US $ 1 por dia, e outro terço vive com menos de US $ 2 por dia. Há também uma crescente desigualdade de renda. A maioria da população sobrevive pela agricultura em níveis de subsistência, muitas vezes tendo que viajar por muitos quilômetros para conseguir água potável. Como na maioria dos países do sudeste asiático, o saneamento básico é precário e a saúde pública é extremamente prejudicada e indisponível. Devido ao alto nível de fome e desnutrição, doenças de diversos tipos já devastaram aldeias inteiras

Muitos bebês (e mães) morrem devido a impossibilidade de chegar ao hospital para o parto, ou como resultado das condições adversas para os bebês nas áreas montanhosas do Laos, onde as temperaturas podem ser abaixo de zero no inverno.


Mas o que mais choca é a forma como a vida e as condições de vida roubam os sonhos e a inocência das crianças desse país. As despesas com a educação é uma das menores do mundo: apenas 2,3% do PIB foi gasto em educação em 2017. Aproximadamente 2,8 milhões de crianças vivem no Laos. A maioria enfrenta muitas dificuldades: metade de todas as crianças com menos de cinco anos de idade sofrem de desnutrição crônica. Cerca de 15% das crianças com idades entre cinco e 14 anos estão envolvidas em trabalho infantil ou exploração sexual.


O Laos também carrega a triste fama de ser o país mais bombardeado do mundo. A cada oito minutos, 24 horas por dia, durante 9 anos, aviões B-52 da Força Aérea dos Estados Unidos despejaram vários tipos de bombas sobre o país, durante a Guerra do Vietnã (1964-1975). A conta dá cerca de nove toneladas de explosivo para cada habitante. Entre 10% e 30% das bombas não explodiram, por razões técnicas, mas continuam ativas no solo, como uma ameaça constante e uma triste marca do passado. Nesta foto, o rosto de uma menina vítima de umas dessas minas escondidas por todo o país. Até hoje, foram registrados cerca de 11,5 mil acidentes com UXO -"unexploded ordnance", em inglês, ou munição não detonada, numa tradução livre para o português ou ainda "bombies". Mais da metade desses acidentes resultou em morte.

Esse é o lado de um passado triste e ao mesmo tempo tão presente, que se descobre caminhando com olhar atento e com os ouvidos humildes para ouvir o depoimento de alguns nativos e de pessoas voluntárias que fazem serviço social no país. Essa é uma das razões pela qual a fotografia me move: o interesse pelo outro e pela essência de todas as coisas.


Fotografia e texto: Roberta Simão

>> Artigo publicado originalmente no Jornal Correio do Pireneus.






Copyright © 2018 Roberta Simão

REPRODUCTION IS STRICTLY PROHIBITED WITHOUT PERMISSION, according to U.S federal Copyright Act of 1976.

REPRODUÇÃO EXPRESSAMENTE PROIBIDA SEM AUTORIZAÇÃO, de acordo com a Lei Federal do Brasil nº 9.610, de 19 de fevereiro de 1998

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